Poesia

Em mim também PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia

Em mim também, que descuidado vistes,
Encantado e aumentando o próprio encanto,
Tereis notado que outras cousas canto
Muito diversas das que outrora ouvistes.

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Dormes PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia
Dormes... Mas que sussurro a umedecida
Terra desperta? Que rumor enleva
As estrelas, que no alto a Noite leva
Presas, luzindo, à túnica estendida?
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Deixa o olhar do mundo PDF Print E-mail
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Olavo Bilac - Poesia

Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?

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De outras sei PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia


De outras sei que se mostram menos frias,
Amando menos do que amar pareces.
Usam todas de lágrimas e preces:
Tu de acerbas risadas e ironias.

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Como quisesse livre ser PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia
Como quisesse livre ser, deixando
As paragens natais, espaço em fora,
A ave, ao bafejo tépido da aurora,
Abriu as asas e partiu cantando.
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Como a floresta secular PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia

Como a floresta secular, sombria,
Virgem do passo humano e do machado,
Onde apenas, horrendo, ecoa o brado
Do tigre, e cuja agreste ramaria

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Ciclo PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia


Manhã. Sangue em delírio, verde gomo,
Promessa ardente, berço e liminar:
A árvore pulsa, no primeiro assomo
Da vida, inchando a seiva ao sol... Sonhar!
Dia. A flor - o noivado e o beijo, como

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Benedicite PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia

Bendito o que na terra o fogo fez, e o teto
E o que uniu à charrua o boi paciente e amigo;
E o que encontrou a enxada; e o que do chão abjeto,
Fez aos beijos do sol, o oiro brotar, do trigo;

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Ao coração que sofre PDF Print E-mail
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Olavo Bilac - Poesia

Ao coração que sofre, separado
Do teu, no exílio em que a chorar me vejo,
Não basta o afeto simples e sagrado
Com que das desventuras me protejo.

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A velhice PDF Print E-mail
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Olavo Bilac - Poesia

O neto:

Vovó, por que não tem dentes?

Por que anda rezando só.

E treme, como os doentes

Quando têm febre, vovó?

Por que é branco o seu cabelo?

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A um poeta PDF Print E-mail
Olavo Bilac - Poesia
Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha e teima, e lima , e sofre, e sua!
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