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Murilo Mendes -
Poesia
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Não basta o sopro do vento Nas oliveiras desertas, O lamento de água oculta Nos pátios da Andaluzia.
Trago-te o canto poroso, O lamento consciente Da palavra à outra palavra Que fundaste com rigor.
O lamento substantivo Sem ponto de exclamação: Diverso do rito antigo, Une a aridez ao fervor,
Recordando que soubeste Defrontar a morte seca Vinda no gume certeiro Da espada silenciosa Fazendo irromper o jacto
De vermelho: cor do mito Criado com a força humana Em que sonho e realidade Ajustam seu contraponto.
Consolo-me da tua morte. Que ela nos elucidou Tua linguagem corporal Onde el duende é alimentado Pelo sal da inteligência, Onde Espanha é calculada Em número, peso e medida.
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