Bem sei que te sorris com riso angélico, Como as aves do céu e a flor dos bosques; Porém deste sorrir - por mais donoso, Nem sempre gosto.
Olhas-me, eu sinto, com olhar tão terno, Que, como um talismã, quebranta os ânimos; Porém de teu olhar - tão doce embora, Nem sempre gosto.
Coa-te as faces candidez lucente, Nítida e vítrea - como a flor do jaspe; Porém desse palor - tão lindo embora, Nem sempre gosto.
Falas com som melodioso e harmônico, Com som tocante - como etéreas harpas; Porém desse falar - por mais sonoro, Nem sempre gosto.
Andas com passos breves e calados, Soturno - como o divagar da noite; Porém dos passos teus - por mais mimosos, Nem sempre gosto.
De um rir irado, estrídulo e sardônico, Que, como a seta, me transpassa as fibras; De um rir danado, que me inspira fúrias, Às vezes gosto.
De olhar fogoso, trépido e fosfórico, Como o luzir e o crepitar do raio; De olhar raivoso, que me acenda o gênio, Às vezes gosto.
De um rubro afoguear de acesas faces, - Sintoma de coléricos transportes; De um rubro afoguear - como um incêndio, Às vezes gosto.
De um tom vibrante, rápido e precipite, Como a voz do oceano entre as procelas; De um tom de voz, que me afigure a raiva, Às vezes gosto.
De um passo nobre, arrebatado e válido, Como os impulsos da paixão nos peitos; De um passo forte, que vacile a terra, Às vezes gosto.
A mole imagem da apatia inerte Já me basta de vê-la em teu semblante; Da guerra das paixões, do horror da cólera Às vezes gosto.
Ao menos uma vez quisera,ó virgem, Ver em teu rosto a contração da raiva, Que do terno langor que te define, Nem sempre gosto.
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